Desde os primórdios os cabelos são vistos como símbolo de status social, sensualidade e poder. Basta olharmos para os livros de história que logo encontraremos fotos de pessoas famosas que ostentavam madeixas longas e bem cuidadas. Hoje em dia não é diferente. Os fios longos e viçosos ainda transmitem jovialidade e se destacam no quesito beleza. Por outro lado, a falta deles pode causar diminuição da autoestima e aparência mais senil. Isso gera um verdadeiro “medo” de ficar careca em pessoas jovens que veem seus familiares calvos. A principal causa de queda de cabelos definitiva é a Alopecia Androgenética (AAG), também chamada de calvície.
A AAG é uma condição determinada geneticamente que pode se manifestar em diversas fases da vida tanto em homens quanto em mulheres, sendo uma queixa extremamente comum em ambulatórios e consultórios de Dermatologia. É caracterizada por um processo de “miniaturização” dos fios de cabelo, além da diminuição do número dos mesmos. O início desse fenômeno ocorre após o encontro do hormônio Testosterona com uma enzima chamada 5-alfa-redutase (5aR) tipo II, presente nos folículos pilosos de algumas regiões do couro cabeludo. Esse encontro gera a produção de um hormônio potente chamado di-hidro-testosterona (DHT), responsável pela atrofia dos folículos e progressão da calvície.

Estima-se que cerca de 50% dos homens e 25% das mulheres serão acometidos pela Alopecia até os 50 anos. Quando elevamos a faixa etária, esses números também aumentam. A tendência é que até 50% das mulheres e até 80% dos homens apresentem algum grau de calvície durante a vida. Em casos específicos, tais como SOP (Síndrome dos Ovários Policísticos), essa taxa pode subir para até 80%, mesmo em mulheres jovens.
A manifestação clínica da calvície pode ser variável, principalmente entre os sexos. No sexo masculino, habitualmente essa condição tem início com aumento do recesso frontotemporal (as famosas “entradas”), sucedidas pela coroa (região do “redemoinho”), até tomar conta de toda a área superior da cabeça. Já no sexo feminino, a forma mais comum de apresentação consiste em rarefação difusa de cabelos na região superior do couro cabeludo (o cabelo fica cada vez mais “ralo” e o couro cabeludo se torna cada vez mais visível), com preservação da linha de implantação frontal dos cabelos.


A busca pelo tratamento se dá principalmente por questão estética, quando o paciente já está se incomodando com a redução da quantidade de fios e com o aspecto calvo. A boa notícia é que com o tratamento correto é possível controlar a progressão da Alopecia Androgenética e, até mesmo, reverter parcialmente o quadro. Uma coisa importante é: não existe tratamento milagroso nem atalhos. É preciso ter paciência, ter um médico de confiança e entender que os resultados serão visíveis a longo prazo.
Atualmente existem medicamentos eficazes e seguros para realizar o tratamento da Alopecia Androgenética. Para que a progressão da calvície seja freada, a utilização de medicamentos que atuem na enzima 5aR citada previamente é fundamental. Outros medicamentos são associados para potencializar o tratamento, com efeitos em outras vias. Além disso, tecnologias (LED e laser) e infiltração de medicamentos diretamente no couro cabeludo fazem parte do arsenal terapêutico disponível para o combate à calvície. Em qualquer tratamento, é preciso no mínimo 3 meses para que haja melhora perceptível e no mínimo 6 meses para que a melhora seja mais evidente.

O Transplante Capilar é uma opção para quem possui desejo de restabelecer a quantidade de fios em uma área já afetada pela calvície. Pode ser realizado em pessoas que já possuem grandes áreas calvas (desde que possua área doadora suficiente), assim como pessoas que desejam preencher pequenas áreas (entradas ou coroa). Este procedimento consiste extração de folículos capilares saudáveis da área doadora (geralmente da parte de trás do couro cabeludo) e implantação na área desejada. Pode ser realizado também em barba e sobrancelhas. Hoje em dia os resultados são naturais e satisfatórios, ajudando o paciente com calvície a recuperar sua autoestima.